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“Marés de Inverno”
Culture/Art 25 Fevereiro 2010  

Autor-revelação estreia-se com livro sobre a vida, a amizade e… o surf. Com uma história simples mas actual, cheia de pormenores do dia-a-dia, que podia ser o de qualquer pessoa, Luís Miguel Raposo inicia um estilo até aqui desocupado em Portugal. Vasco e os seus amigos vão obrigá-lo(a) a pensar sobre a vida e sobre os sonhos eternamente adiados.
Não é fácil escrever sobre uma paixão. Sobretudo quando essa paixão é o nosso refúgio, um escape à vida formatada e empacotada da sociedade em que vivemos. O surf é uma paixão para quem o pratica há longos anos e o encara como forma de estar na vida. Luís Miguel Raposo é consultor e formador, mas também um apaixonado pelo surf e pelo mar, há 23 anos. Estreou-se na escrita, escrevendo sobre a sua paixão. E bem. Ou melhor, escreveu sobre amizade, tendo como pano de fundo o surf. “marés de inverno” é o primeiro romance deste autor recente, nascido em Almada e criado nas ondas da Costa de Caparica. O livro, escrito entre uma sandes e um sumo, nas horas de almoço de Luís Miguel, com o portátil ao colo num banco de jardim, surpreende os mais incautos, atingindo-nos como um murro no estômago logo nos primeiros capítulos. Com um estilo muito próprio, entre o descritivo e o poético, a leitura de “marés de inverno” torna-se compulsiva e obriga-nos a parar de vez em quando, para recuperar o fôlego, como numa surfada épica, entre dois tubos profundos. Raposo mexe com as emoções (as nossas e as dele) e desperta assim para uma faceta até agora desconhecida. “Nem sequer um diário alguma vez escrevi!” confessa-nos, embora leia bastante. Com a sua vida profissional mais ligada aos números, o início da escrita só podia ter sido um impulso. Uma ideia simples, que fervilhava na sua cabeça e que deu origem ao que hoje é o capítulo 6. A partir daí a “história escreveu-se a si própria, embora cada frase fosse cuidadosamente observada, analisada e corrigida dezenas de vezes, se fosse necessário.” Até a forma como chegou à publicação é curiosa. Sem contactos de qualquer espécie no mundo literário, Luís Miguel fez o que qualquer pessoa diria ser lirismo – enviou cópias da sua história para 11 editoras, depois de ter feito uma busca e selecção das que achou mais interessantes. Das onze, três responderam e uma, a Pergaminho, “fechou” com ele. Por questões de ordenamento interno da editora, o livro acabou por sair com a chancela O Quinto Selo, que assim tem Luís Miguel Raposo como seu único autor nacional . A escolha do título, sugerido pela editora, foi “uma feliz coincidência, pois o que eu tinha escolhido primeiro era muito piroso… feliz porque assim posso ter mais três estações para utilizar, se me apetecer.” E apetece? “Bem, pelo menos uma sequela já estou a escrever, depois logo se verá,” afirma o autor, sabendo que a vida (e o surf) é regida por ciclos. Uma coisa é certa – a história do Vasco e do seu grupo de amigos “do surf” é um retrato geracional fortíssimo e preciso. A história de uma geração urbana mas com vontade de se manter ligada à natureza. Podia ser a tua ou a minha. E é isso que a torna tão interessante!

Para saber mais sobre este livro, vá a mares-de-inverno.blogspot.com, ou a uma livraria perto de si!

 

Por MIguel Pedreira

*Publicado previamente na revista Parq

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